segunda-feira, 25 de abril de 2011



Uma volta sem volta

"Toda rotina tem de ter uma fuga. Todo ser tem de ter uma companhia;
Em qualquer batalha, não há vitória quando se luta sozinho;
Em qualquer momento, não há sorriso se não houver quem o tire.

Volta e meia, páro e observo os longos passos de muitos - e os poucos de alguns.
As pessoas sempre estão preocupadas com elas mesmas, quando deveriam olhar mais para as outras.

Estava indo ver o sol nascer. Estava indo ouvir o cantar dos pássaros, e menos o gritar dos carros.
Cansado de batalhar, de fugir da rotina e da falta de sorrisos em qualquer dia, estaria a viver a nossa liberdade.

Estaria a ouvir mais a natureza e muito pouco a histeria dos normais que circundam a rotina.

Mas nada vai mudar. Nenhuma criança triste passará a sorrir com a minha fuga.
Nenhuma paz será restaurada mesmo que eu vá conquistar a minha, a não ser a minha mesma.

Então, estou disposto a dar meia volta e percorrer toda a estrada rumo ao triste hoje e desconhecido amanhã.
Estou disposto a sacrificar minha paz para tentar dar aos muitos que estão perdidos por aí."

Escrevi alguns versos enquanto não ouvia nada a não ser o leve soar das cordas de uns violoncelos ao toque dos arcos.
Estas palavras não têm um certo destinatário. Então, que vá ao olhar certo. Pois estou a voltar para cumprir o que acabara de ler.

segunda-feira, 18 de abril de 2011



Palavras de uma manhã

Olho teus olhos e vejo tua alma, nítida e calma.

Olho teu rosto, o desenho dos teus lábios e a expressão do teu olhar.

As notas desenhadas em teu pescoço, junto ao pássaro que te trouxe.
Teu sorriso e minhas vontades.

Para tão longe, o tempo levou-te daqui.
Inquietou meu pensamento; bagunçou meus ideais.

Meu amor, não há mais café da manhã a ser feito,
Ou almoço, ou jantar - nem passeios ao final das semanas para relaxar.
Não me há mais nada além de memórias, que são apenas o que são.

Limito-me às palavras, às notas musicais, à falta de melodia aos meu arranjos.

Em uma garrafa, porei cada palavra desta carta.
Apenas deixarei ao acaso, além, destino ou seja lá o que for;
Este que nos uniu e nos separou.

Sem delongas; sem melancolia.
Mas não há vida sem amor. Não me há amor sem tua vida.

terça-feira, 12 de abril de 2011



Um futuro - mas apenas mais um

Vem cá, minha flor. Trouxe-te um barco - aquele que viste na vitrine.
Não há nada nele além da madeira que o constitui.

Vamos ao mar, deixá-lo correr às vontades e pensamentos de outros.
Deixemos que construam um transatlântico - que o tornem o que puderem.

Eu não sei o resultado e talvez nem venha a saber;
Mas, como uma ideia - que vive gerações por mais que morram os homens -,
Talvez atravesse o oceano e leve consigo vidas e vidas, ideias e ideias.

Pensamentos, meu amor. São os pensamentos que giram o mundo.
A certeza é só um pedaço do todo - a dúvida é o impulso.

Minha flor, meu amor, verás o futuro embarcado, que saiu de uma vitrine;
A vitrine dos nossos desejos e quereres; ideias e fazeres.

Um pouco de cada e estará pronto o transatlântico que sonhaste ter.

Que atravesse o oceano e muitos possam ver o que está por vir.

terça-feira, 5 de abril de 2011



Inspiração minha de cada dia

Estava a esperar que a inspiração visitasse minha sala, e fosse ao meu encontro no sofá - onde estava a pensar, tomando meu gelo de todas as noitas.

Pensava no mistério da vida. Pensava em todas perdas que estamos tendo com o passar do tempo.
Esperança ?! eis o único sentimento que move a fé, que, por consequência, nos move.

No geral, vivemos de forma tão rotineira: "que tenhamos um bom futuro pra garantir nosso bem-estar" - 'que tenhamos dinheiro.'
Mas é tudo tão sem graça, quando visto de um ângulo mais filosófico;
Aceitar toda essa falta de variedade quando temos tantas coisas escondidas pela vida a fora - ou a dentro.

Estava a esperar que a inspiração tomasse conta do meu pensamento, e me lapidasse ideias como todas as outras noites.

Ouvindo 'Moonlight Sonata' de Beethoven, à sala que me restara, cheguei a conclusão de que estamos caminhando à mesmice.
Estamos aceitando o prático, o conforto desnecessário e tudo sem graça que podemos imaginar - quando vistos com olhos mais aguçados.

Meu bem, que tocava um clássico da música clássica, apenas sentia o poder da música.
E, enquanto ela solava beethoven, pude ver que a inspiração estava no que nos cercava: nossa simples forma de amar e viver.