Ao cotidiano
O vento corre pela janela, sopra meus trabalhos, bagunça meu escritório.
A chuva molha todo meu pensamento, refresca minhas ideias e traz a paz.
E o que tem de mais largar tudo pro alto algumas vezes ?
Se eu não fizer isso, viverei sob o trabalho de pensar e fazer, fazer e fazer e jamais curtir.
Sim, este verbo é tão formal quanto outros.
Deixo o tempo correr enquanto caminho e observo todos que correm como ele.
Tomo meu suco de maracujá pela manhã, mas depois, deixo que umas cervejas figurem meu anoitecer.
Capturo cada traço do cotidiano com meus olhos e largo em versos o que penso.
Estou entre a massa. Faço parte dos ingredientes. Mas sou um dos leves toques que diferem o gosto.
Sobre o lençol, abraço a paixão que meus amores me dão;
Sob a vida, estou a escalar o penhasco da liberdade;
Entre vielas do meu eu, encaro o medo e traço meu destino - ninguém o faz por mim.
Segue, meu bem. Segue o teu caminhar como sigo o meu.
Nada de caminharem por ti, pensarem ou algo do tipo.
Faze o teu lapidar na pedra da vida.

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