quinta-feira, 24 de fevereiro de 2011




O inevitável e contínuo do meu eu

A continuação das palavras, eu encontro no fazer.
A continuação da vida é a morte - não que seja ruim.

A continuação de uma nota é a harmonia.
A continuação do teu corpo são meus lábios.

A continuação do inevitável é o fato;
Um deslize e tudo muda.

A rotina da mania é a particularidade;
Te tornas única com tuas belas e feias manias:
Mania de ser linda..

A vida é uma eterna caixa de surpresas - e um pouco de pandora.

Segue o amanhã caminhando sobre o agora e, volta e meia,
Olha o retrovisor pra ver o que passaste - ele pode vir à tona.

terça-feira, 22 de fevereiro de 2011



Minha, nossa arte

Movimentos lentos e leves são realmente surreais: puro desdobramentos do algo mais.
Fotografo o sutil beijo do pássaro à flor; o caos e a dor; a paixão e o amor:
Desdobro o real e vejo muito mais.

Pequenos e ligeiros detalhes numa expressão do sorriso ou da tristeza:
Deixar passar é um pecado aos olhos de quem revela seus filmes em palavras.

Em outra frequência, tais palavras viajam em notas, tons harmônicos.
Decifradas de tudo que meus olhos fotografam, caem como retratos de uma verdade.

A realidade pode ser tão surreal quanto muitos filósofos viam e vêem o mundo:
Toda verdade depende do ângulo que é vista.

Movimentos leves e lentos passam a sutileza da vida quando dançados ao par.
Viajar sozinho, na arte ou não, é a solidão pura, mas não a pura solidão.
Acompanho-me na arte que me acompanhar - seja lá aonde eu for ou o que fotografar.

A arte está em tudo.


Retratada em palavras

Me escapaste por entre os dedos, como a água que bebo do riacho.
Sedimentos teus, encontro nos fragmentos dos versos que desenhavas nos quadros,
Guardados no meu quarto - já nem tenho mais paredes.

Que inusitado momento foi me cair uma gota de suor -
Quando o frio da tua ausência me consumia.
Calor da lareira que guardei na gaveta: nossos antigos retratos.

A parte do meu eu que pulsa como filosofia ou poesia
É onde encontro a saída desse caos que meus olhos observam.
Monótonas repetições, clichês televisionados:
Meu amor, volte com meu remédio anti-monotonia.

Este corpo que dorme ao meu lado tem teu perfume;
Este, que dança comigo um jazz na sala de estar
E me alimenta tua ausência é somente o que eu quero que seja:
Teu e de mais ninguém.

segunda-feira, 14 de fevereiro de 2011




A continuação

Tu és uma poesia em pessoa, moça.
E quanta gentileza vejo onde te retratam:
As fotos que te param o tempo; o tempo que pára ao teu redor.

Tua voz, suave como deslizo as notas na viola, sabe o tom para conquistá-las.
Cada parte do embalo que sigo, à inspiração que tu me trazes, é parte da minha sinfonia.

Páro diante do papel, esperando que as palavras levem a continuação ao ponto final,
Mas que final será digno de um começo tão nobre ?

Teu sorriso, teu olhar, tua voz: tu és o começo da primeira estrofe desta poesia.
E que os ponteiros do relógio continuem a contar o tempo;
Acho que ele não há de parar até que eu te encontre, meu amor.

Fico à mercê do compasso que danças; à mercê do que me impulsionar.
És, mesmo de longe, a continuação das minhas palavras, sem sombra de dúvidas.

Teu sorriso e teu olhar: a continuação inevitável dos meus versos.

quarta-feira, 9 de fevereiro de 2011



O leve gosto dos teus lábios aos passos teus que se somam aos meus.
Tua voz acompanhada das minhas notas, sobre a sombra daquele velho coqueiro.

Falas tão devagar - sorrasteiras palavras respondo aos teus ouvidos.
Minha amada que me somes quando beijo tua boca e me apareces quando beijo teu corpo moreno,
Seria um pecado escrever tanto aqui e esquecer de ir aí, ver-te sorrindo manhãs, tardes e noites.

Esse nosso ar tão sereno, boêmio e carioca.
Esse teu olhar tão fulgente que me acalma o desgosto de ver todo esse caos no rosto do meu povo.

Minha menina, vem comigo ao desconhecido amanhã, conhecido e poético horizonte;
Vem caminhar um pouco sobre o efeito do nosso remédio anti-monotonia: a música nossa de cada verso vivido.

Que não haja amor, mas que vivamos a verdade. A verdade e nada mais.

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Bonitas palavras, porém inúteis,
Pois não têm alguém a serem mandadas,
Um destino depois de escritas.
Ficam perdidas, juntas às outras que se perderam em momentos passados;
Perdidas no baú de versos e prosas que somam minha história de palavras e notas.

Mas que um dia meu tesouro seja encontrado por olhos que deixarão lágrimas ao lerem.
Que seja teu, de outros; de todos que verem como um espelho que refletirá cada ego que ler.