terça-feira, 26 de janeiro de 2010



Ao olhar de um menino

Tenho o pão como o nosso de todos os dias.
Tenho a saudade do que ainda não tive.
Tenho a amargura que me seca todas as noites.

Tenho a felicidade me faltando nas horas de comer ao prato que nem sempre repousa diante de mim.
Tenho a paixão escrita em livros que tento ler.
Tenho o amor nos olhos da mulher que diz tanto amar-me, com seus braços que me aquecem nas congelantes noites.

Tenho notas rondando meus ouvidos, que sobressaem meu discreto sorriso.
Tenho ansiedade pela verdade que cogito todas as noites.
Tenho necessidade de enxergar tudo com olhos de um revolucionário.

Não me resta nada; tenho tudo.
Tenho até fome de paz nos inquietos corações daqueles que ainda insistem em roubar-me um pouco de paciência.

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