segunda-feira, 23 de novembro de 2009



Últimos dias

A cigarra anuncia a chegada do verão.
A partir de então as únicas gotas que umidecem o solo são de lágrimas.

Todos choram por medo e desespero do que já sabem que está por vir.
O sol seca o raciocínio de quem ainda caminha no árido solo.

"Aonde estão as divinas lágrimas ?" - reclama uma criança.
No céu, nenhum sinal vital: apenas a morte que sobrevoa os ainda-vivos.

Alguns falam de serem os seus ultimos dias: há muitos indícios que implicam nisso.
Outros, com otimismo, dizem ainda haver a época de glória:
Mas a luta ainda há de se manter firme.

A escassa água pertence apenas, e não há excessão, a quem mais tem poder.
Mas, como não são donos da natureza, ela foje ao seu abrigo e entrega-se aos demais.

"É uma pena: tinhamos tudo para sermos felizes"- disse um rapaz à sua namorada.
Talvez o otimismo venca, ou o realismo mais uma vez sobressaia na história; nossa história.

Queremos o choro do divino sorriso para que possamos sorrir junto a ele.
E que a aridez do nosso solo venha a ser o útero da esperança que consumíamos;
Estamos ao abismo e necessitamos da evolução em conjunto: que assim seja.

Nenhum comentário: