segunda-feira, 23 de novembro de 2009



Últimos dias

A cigarra anuncia a chegada do verão.
A partir de então as únicas gotas que umidecem o solo são de lágrimas.

Todos choram por medo e desespero do que já sabem que está por vir.
O sol seca o raciocínio de quem ainda caminha no árido solo.

"Aonde estão as divinas lágrimas ?" - reclama uma criança.
No céu, nenhum sinal vital: apenas a morte que sobrevoa os ainda-vivos.

Alguns falam de serem os seus ultimos dias: há muitos indícios que implicam nisso.
Outros, com otimismo, dizem ainda haver a época de glória:
Mas a luta ainda há de se manter firme.

A escassa água pertence apenas, e não há excessão, a quem mais tem poder.
Mas, como não são donos da natureza, ela foje ao seu abrigo e entrega-se aos demais.

"É uma pena: tinhamos tudo para sermos felizes"- disse um rapaz à sua namorada.
Talvez o otimismo venca, ou o realismo mais uma vez sobressaia na história; nossa história.

Queremos o choro do divino sorriso para que possamos sorrir junto a ele.
E que a aridez do nosso solo venha a ser o útero da esperança que consumíamos;
Estamos ao abismo e necessitamos da evolução em conjunto: que assim seja.

domingo, 8 de novembro de 2009



Tua busca

Teu amor está atrás dos olhos de um homem; ou nos braços dele.

Talvez esteja diante dos teus; ou você já o deixou escapar.

Não está escrito nas estrelas, mas nas entrelinhas da vida.
Por si só, anda livre nas ruas, becos e armadilhas.

Pode ser que ele seja eu.
Pode ser que ele seja outro; d'outro.

Mas tenha certeza de que ele será teu na hora certa.
Assim como uma flor desabrocha em seu ápice natural.

Esta ai, aqui, ali ou lá:
Teu amor está em algum lugar, a tê esperar.

terça-feira, 3 de novembro de 2009



Questão natural

Céu, por que choras essas lágrimas tão frias e pesadas ?
Por que gritas e nos espanta com teu brilho repentino ?

Estás a adubar nosso solo, mas inundas nossa esperança.
Sei que não tens culpa nenhuma, afinal, nós somos a razão para tanto.

Quero acalmar teu pranto e vê-lo sorrir novamente, acompanhado pelo incandescente sol.
Quero ouvir teu silêncio ao profundo brilho da lua que guia-me quando falta visão;
Acalmar tua raiva e ver tuas lágrimas caindo e indo ao lençol que abraça nosso solo.

Céu, por que estás triste, quando deveria completar teu viver com pequenos brilhos do nosso viver ?
E por que estamos tão distante de ti ?
Por que deixamos de aproveitar teu calar, teu brilho, teu calor e tua essência quando deveríamos fazer parte disso tudo ?

Sei que não tens culpa de nada, pois somos tão leigos da questão natural da vida que esquecemos de que sem ti nada somos.
Céu, acolhe-te aos braços da natureza e tente descansar um pouco; talvez aprendamos um pouco com a tua falta.

quarta-feira, 28 de outubro de 2009



Quero-te

Ouvindo o canto do silêncio, ecoado nas paredes do meu quarto.

Fechado pelo vácuo da imaginação: que me atordoa por não viver o real.

Quero teu corpo e tua mente; nadar nos rios da paixão e atirar no ventilador
meus versos românticos.

Quero mostrar-te o quão extenso é a vida do lado de cá.
O quão forte pode ser o nosso amor.

Quero teu olhar para enxergar tua mão mais de perto.
Quero devorar-te. Quero amá-la:
Não saias da minha visão, não corras para longe do meu olhar.

sexta-feira, 23 de outubro de 2009



Momentos

De longe ouvi-se o estrondo que faz:
A verdade que vem à tona.

O céu chora lágrimas que secam antes de cairem ao solo.
O sol abraça a lua e as estrelas gritam por liberdade:
Dá pra ouvir cada tom que solfejam.

Ainda sobraram algumas rosas; raras rosas nesse crucial viver.
Enquanto a sobrevivência parece ser a saída, ainda prefiro viver minha doce canção.

Tu és a sintonia que há nas notas, combinando cada frase e formando o texto mais repleto
Da essência que me falta todos dias- quando o sol volta a se esconder atrás das montanhas.

Chores ao solo. Aos nossos povos.
Sorria em minha janela. Deixe-me enxergar o que há escondido em teu olhar.

Dai-me teu coração que consertarei cada dor que lhe causaram.
Dai-me tua mão que a levarei pra onde não enxergas com os olhos abertos.
Dai-me teu corpo que o tornarei o fruto mais maduro destas árvores.

Mas ainda ouço a verdade caindo e quebrando-se no longo e tedioso abismo.
Mas já não ouço o solfejar das luzes do divino viver que há no céu dos meus insanos momentos.

segunda-feira, 5 de outubro de 2009



Somento só


Tudo de que preciso, o que sou, o que penso e o que espero deixo nas entrelinhas das minhas palavras;
Atrás da persiana que dá visão pra sua realidade.

Quando estou a caminhar na baixa frequência da lucidez,
Escorrego em outros passos e me deparo com a outra parte da vida; volta e meia estou por lá.

Talvez nunca me achem, talvez eu nem queira ser achado:
Cada macaco no seu galho e cada insano com sua loucura.

Se vires uma frase faltando um pedaço, um tempo que seja pra completar o compasso,
Não se preocupe, pois estou a terminá-la.

Ouça algum jazz e me assista viajando pelas notas do piano, ou talvez do saxo;
Ou talvez tocando meu baixo na esquina das eternas madrugadas dos dias frios e solitários.

Não haverá apenas uma palavra que consiga definir o que sinto quando estou a tocar e ouvir a música de verdade;
Aquela que faz mover montanhas ou dividir o mar dos teus pensamentos.

E somente só estou a entender que só se vive de verdade à companhia do que lhe torna vivaz
Mesmo quando estás a escorregar pelo abismo da falta de algo.

terça-feira, 29 de setembro de 2009



Ao teu perdido sorriso

Resumida num samba, em versos trocados e jogadas de palavras:
És tu, com teu brilho e calor.

Tu és o encanto ao meu delírio sonho.
O doce da salgada realidade.

Aos gritos e prantos, tua fala se exalta e tudo se cala.
E o frio da saudade se torna quente ao teu encantado olhar.

Mas trocaste a suave mão do amor pela rude solidão.
Deixastes de chorar alegria pra viver tristezas incompreensíveis.

Como podes mudar de direção e ir rumo ao abismo ?
Estás cega ou não queres ver a verdade ?

Disseram que encontraram teu olhar perdido por ai.
E tua voz ecoada pelos cantos escuros das esquinas solitárias.

Aonde estás teu velho samba ?
E tua fala lotada de sabedoria- que nos deixava de frente ao nosso ego ?

Agora caminho com minhas palavras, procurando teus sensíveis fragmentos.
Com frio, fome e vontade de enxergar; mas não há de existir algo que me pare.

Juntarei cada pedaço do teu cabelo, sorriso, corpo e mente;
Para que voltes a ser como a doce realidade das minhas palavras jogadas.


Notas singulares

Calem todas as vozes para meu violão falar.
Deixem as notas fluirem e esquentar quem está a esfriar.

Elas trazem o peso de uma visão;
Podemos vê-las escorrendo pelos rostos de quem as ouve.

Num simples compasso, trazem a verdade que não víamos.
Calem todos: deixem meu violão falar.

Elas escorregam sobre o vazio de uns e fluem no todo de outros.
Fazem parte do meu olhar; do meu falar; do meu cantar:
Mas não precisam de algo pra existir; vagam por si só.

Deixem meu violão falar um pouco de tudo.
De tudo, apenas seu falar é capaz de nos fazer viajar de verdade:
Sentir o medo e o amor. Libertar a raiva e a paixão.

Na madrugada sem fim, elas trazem um pouco de companhia.
Em meio a toda essa destruição, elas nos fazem acreditar no que havíamos deixado de lado.

Calem todos: deixem meu violão musicar um pouco do que penso.
Tornar real cada ilusão que guardo no obscuro canto do meu pensamento.

Jamais deixarei de existir enquanto minhas notas soarem entre os ouvidos.
Lúcidos ou insanos: não há quem não sinta a música fluir dentro de si.

segunda-feira, 28 de setembro de 2009



Transpiração Contínua

Ao calor que nos esquenta, decifro teu misterioso corpo.
Nessa imensa escuridão, apenas ouço sussurros;
Coisas de liquidificador.

Nossas pernas a entrelaçarem sob o lençol em cetim que nos envolve.
Minha boca erra a tua, e logo acha tua nuca.

Teu perfume misturado com a essência do momento
Me faz mergulhar nesse delírio a inspirar-me.

Apenas ao som da chuva cantando e caindo e escorrendo pelas ruas e vielas.

Um cigarro pra completar a cena, e o abajur aceso
Pra iluminar a verdade que agora vejo com os olhos poéticos de um apaixonado;

Não há cena que me escape, não há olhar teu que me fujas:
Tornarei cada momento parte de uma recordação nas obras que me inspiras.

quinta-feira, 24 de setembro de 2009



Saindo da Rotina

Pegue seu café e venha para a varanda;
Vamos rir às velhas lembranças.

Olhar toda essa gente e rir da hipocrisia que os ronda.
Ver a natureza ao seu estado juvenil, enquanto eles não a envelhecem por total.

Ah, quem dera que toda manhã de primavera fosse assim:
Recheada de sorrisos e olhares.

Vamos ressaltar essa tua beleza que nos deixa como crianças num parque temático.
Vamos nos beijar e esquentar esse frio que volta e meia nos congela.

Não me deixes partir dessa diversão.
Não me deixes cometer os erros a que somos submetidos.

Ah, quem dera que toda essa rotina fosse tão diversificada como essas manhãs.
Com essas trocas de olhares entre uma palavra e outra.

Deixemos nossas pernas entrelaçarem no colchão, debaixo do edredon.
Podemos, então, conquistar a tão esperada liberdade a dois.

Mas não voltemos depois àquela velha rotina, e deixar quebrar esse quadro
Que pintamos a cada verso que escrevo, olhando-te pelas entrelinhas.

Não deixemos nosso samba morrer ao velho tempo.
E tornemos, assim, cada momento uma futura risada às futuras varandas,
Em qualquer estação que estejamos.

E, algum dia, caminhar pelas ruas de ouro ..

domingo, 20 de setembro de 2009




Nossa Sinfonia

Deixe tua bossa sair desse teu violão.
Com essa tua gingada de suavizar em qualquer tom.

Teu corpo moreno e teus cachos tão intermináveis;
Fico cego aos demais e ouço apenas tua sinfonia.

Cada passo teu faz-se brilhar tudo ao redor,
Como uma modelo à passarela.

Não sei se é samba, bossa ou paixão:
Mas faço dessa poesia minha interminável canção.

Para ti, procuro no fundo dos teus olhares a essência
Certa pra formar cada pedaço dessa poesia que estou a escrever.

Não sigamos nenhum paradigma para que sejamos poéticos;
Façamos nós nossa trilha sonora:
Cantemos, toquemos e vivamos cada compasso que a compôr.

quinta-feira, 17 de setembro de 2009




No silêncio da verdade



Cala-te e ouça-te: sintas o silêncio do vazio que palpita entre teus peitos, perdido no caos do amor.

Jamais serás como antes: agora que conhecestes o labirinto da saudade.
Sentiras a solidão tal como sentes o aperto no coração; ou até pior.
Ninguém está isento de morrer e nascer; nascer e morrer e nascer, de novo.

Como cada pingo da chuva afeta algo, serás afetada na pele, mente e peito.
Mas estarás imune a dores que lhe façam perder cada gota do teu sorriso; lindo sorriso.

Quando sentires cansada, deite sobre o manto deste amor.
Ligue o rádio na canção que lhe fez perder os sentidos, e se perca no confuso sonho.

Jamais acordarás desta realidade- sonho pra uns:
Mas se um dia isso ocorrer, recolha o balde de suas lágrimas, pois precisarás delas.

Depois de tantos sonhos, não pare de escrever; alguém um dia irá ler.
Irão entender como és de verdade, e não como falam.

Volte a respirar e ponha um ponto final nisto; mas um final que dê começo a outra linha.

terça-feira, 8 de setembro de 2009





Tu és minha poesia

A grande poesia está em continuar a embelezar de tal forma
Que não a deixe monótona e com um ar de clichê.

Torná-la um tanto diferente, sem exagero, apenas nos pequenos detalhes.
Quem notá-los também será diferente.

Inovar é questão de visão; mas sem uma adorável inspiração não conseguimos
Se quer mover um pensamento.

Há parâmetros em tudo, até pra algo ser poético;
Mas a poesia dispensa quaisquer limitações.

Afinal, quem impõe regras está a limitar algo.
E não há limitações na poesia:
Podemos viajar e viajar.

Aqui ou ali.
Num olhar. Num gesto.
Numa equação matemática ou num simples silêncio podemos encontrar poesia:
É tudo questão de visão e imaginação.

Posso terminar de escrever com uma poética dedicação ou simplesmente terminar,
E fazer desse término o final de uma poesia;
A visão é sua, mas a imaginação é minha.


Trilhos mais que afinados


Nessa longa viagem, há um trem que a leva e alguém que a espera.
Bem no fim, o sol vem queimando teus olhos, mas enchendo-a de esperança.

Lá fora há desencontros, desilusões, perdas e mentiras.
Mas você apenas observa tudo pela janela meio escura.

No teu copo de coca-cola há guaraná.
No meu, de café, há cerveja:
Mas o que tem de mais em mudarmos um pouco ?

Mesmo diante de tantas curvas, deixe-me beijar tua boca;
Não deixes escapar nenhuma palavra minha:
Já perdestes muito esperando chegar a tal estação.

A primevera há de chegar, e as flores hão de brilhar.
Nesta estação, haverá uma razão para esperar.

Mas não esqueças que nem na próxima estação o trem não irá parar
Para que esperes pelo próximo florescer das folhas esperançosas.

O trem não pára e a viagem não acaba.




Uma lembrança e uma espera.


Numa noite banhada pela luz do luar,
Teus olhos faziam brilhar cada pedaço do meu eu.

Um beijo que me toca a boca é somente mais um
Se não for teu.

O rosto que descansava sobre meu colo me faz lembrar
Que a vida é tão rara.

Tão rara disso e daquilo.
De um abraço, de uma verdade; de uma sinceridade no olhar.

Teu caminhar sobre a areia não deixa rastros para que eu a reencontre.
E então o que me resta é continuar a escrever e escrever. Esperar e reescrever.

Ouvindo tua bossa, teu jazz, teu swing e teu soul:
Fico à tua espera neste lindo amanhecer de domingo.