segunda-feira, 20 de junho de 2011

Meu hoje.

A falta de um ponto fixo no futuro a ser alcançado gera a incerteza no presente. É como andar numa corda bamba sem saber quando e se irá cair - e se terá força suficiente pra erguer-se novamente.

Mas, mesmo diante da responsabilidade e vontade de garantir meu futuro num passageiro e corrido espaço de tempo, quero voltar a sentir o gosto da liberdade sem compromissos de estar adulto - ou quase isso.

Sentir o vento no rosto enquanto dirijo rumo às ondas desconhecidas da vida - mas tão certo de que trarão paz e sorrisos; amar e amar apenas uma única pessoa - e poder desvendar seus mistérios cada momento juntos.

Tornar o viver banal é desperdiçar tamanho feito, divino e belo. Banalizar os sentimentos é distanciar-mo-nos do conceito de ser humano. E é tão ingênuo da nossa parte achar, ou se quer pensar que não precisamos disso.

Tanto fazemos e nos perdemos em nossos feitos que já tanto faz o futuro - o agora parece ser mais interessante, mesmo que ingênuo seja achar isso.

Hoje, acordei com vontade de viver um pouco mais. Que me esperem os papéis a serem organizados; as caixas, empacotadas; os problemas, resolvidos; as dores, curadas.
Que me esperem quaisquer atrasos, pois quero viver mais um pouco, antes de voltar a estar sob o regime globalizado que apenas nos faz girar no ciclo vicioso da necessidade de ter algo, ser um 'alguém', e muito pouco O alguém.

segunda-feira, 25 de abril de 2011



Uma volta sem volta

"Toda rotina tem de ter uma fuga. Todo ser tem de ter uma companhia;
Em qualquer batalha, não há vitória quando se luta sozinho;
Em qualquer momento, não há sorriso se não houver quem o tire.

Volta e meia, páro e observo os longos passos de muitos - e os poucos de alguns.
As pessoas sempre estão preocupadas com elas mesmas, quando deveriam olhar mais para as outras.

Estava indo ver o sol nascer. Estava indo ouvir o cantar dos pássaros, e menos o gritar dos carros.
Cansado de batalhar, de fugir da rotina e da falta de sorrisos em qualquer dia, estaria a viver a nossa liberdade.

Estaria a ouvir mais a natureza e muito pouco a histeria dos normais que circundam a rotina.

Mas nada vai mudar. Nenhuma criança triste passará a sorrir com a minha fuga.
Nenhuma paz será restaurada mesmo que eu vá conquistar a minha, a não ser a minha mesma.

Então, estou disposto a dar meia volta e percorrer toda a estrada rumo ao triste hoje e desconhecido amanhã.
Estou disposto a sacrificar minha paz para tentar dar aos muitos que estão perdidos por aí."

Escrevi alguns versos enquanto não ouvia nada a não ser o leve soar das cordas de uns violoncelos ao toque dos arcos.
Estas palavras não têm um certo destinatário. Então, que vá ao olhar certo. Pois estou a voltar para cumprir o que acabara de ler.

segunda-feira, 18 de abril de 2011



Palavras de uma manhã

Olho teus olhos e vejo tua alma, nítida e calma.

Olho teu rosto, o desenho dos teus lábios e a expressão do teu olhar.

As notas desenhadas em teu pescoço, junto ao pássaro que te trouxe.
Teu sorriso e minhas vontades.

Para tão longe, o tempo levou-te daqui.
Inquietou meu pensamento; bagunçou meus ideais.

Meu amor, não há mais café da manhã a ser feito,
Ou almoço, ou jantar - nem passeios ao final das semanas para relaxar.
Não me há mais nada além de memórias, que são apenas o que são.

Limito-me às palavras, às notas musicais, à falta de melodia aos meu arranjos.

Em uma garrafa, porei cada palavra desta carta.
Apenas deixarei ao acaso, além, destino ou seja lá o que for;
Este que nos uniu e nos separou.

Sem delongas; sem melancolia.
Mas não há vida sem amor. Não me há amor sem tua vida.

terça-feira, 12 de abril de 2011



Um futuro - mas apenas mais um

Vem cá, minha flor. Trouxe-te um barco - aquele que viste na vitrine.
Não há nada nele além da madeira que o constitui.

Vamos ao mar, deixá-lo correr às vontades e pensamentos de outros.
Deixemos que construam um transatlântico - que o tornem o que puderem.

Eu não sei o resultado e talvez nem venha a saber;
Mas, como uma ideia - que vive gerações por mais que morram os homens -,
Talvez atravesse o oceano e leve consigo vidas e vidas, ideias e ideias.

Pensamentos, meu amor. São os pensamentos que giram o mundo.
A certeza é só um pedaço do todo - a dúvida é o impulso.

Minha flor, meu amor, verás o futuro embarcado, que saiu de uma vitrine;
A vitrine dos nossos desejos e quereres; ideias e fazeres.

Um pouco de cada e estará pronto o transatlântico que sonhaste ter.

Que atravesse o oceano e muitos possam ver o que está por vir.